quinta-feira, 25 de abril de 2013
Olhos
No verde anil do reflexo desse sol
pelo imenso mar de mentiras dos seus olhos
refletidos nas ondas do céu perturbado
pela negra cor de suas origens
no esquecimento do meu vagabundo ser
recomeça em lentos passos
o mistério dos traços dados pelas traças de suas roupas
na força das últimas gotas da água lhe dada
maltratada pelo tempo que passou sem ser notada
no riso de canto de boca
dos lábios carnudos, maltratados pelo tempo do desuso
nas palavras não faladas, nas letras não lidas
as invenções de Gutenberg nada lhe dizem
nada lhe falam, nada sabe sobre o tal mistério das letras
as faladas, as dadas, as jogadas, as molhadas pelos lábios
da chuva que percorre seu corpo desnudo
no desespero desse sol mentiroso
que enganam nossos olhos perplexo pelo anil "azul"
do céu também desnudo e sereno
nas mentes que brindam o nada saber
desse céu preto anil.
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