quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

PALAVRAS

Ei, essas palavras ferem
essas palavras machucam
dessa voz o sangue transfunde
no correr das veias assustadas
pelo bater dos nossos corações
aconselhados pelas razões
desses lábios desejados
olhem essa moça de cabelos de fogo.
deslumbrem esses olhos escondidos.
as vezes te mostrando um olhar rápido.
mas seus lábios sempre visíveis
sussurrando algo inexplicável
na procura de gozar os prazeres
das belezas da vida
desfrutar desses nossos momentos
inventados pelo percurso da vida
mas, ei, essas palavras machucam
essa palavras ferem
quando ditas pelas bocas desafinadas.
Desse tempo que não termina,
desse tempo que nunca começa,
nessas verdadeiras mentiras,
contadas por nossos lábios
por nossos pensamentos dessincronizados
enquanto ainda não nos perdemos.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

,.,.

Pela noite que me transforma
pelo morrer do meu ser, que renasce.
pelo dia que se vai, nos olhos partidos
me entrego nessa transformação.
nessas vozes que transcendem
no soar dos ventos em prantos
fico nesse canto
na tentativa de medir meus passos
do falso drama inventado

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Deixe-me

Deixe-me, estou indo na procura, deixe-me ir ver o sol nascer, ir andando por ai caminhando a esmo enquanto os pássaros cantando me mostram o caminho sorrindo, deixem-me ir por ai, na procura latente dessa saudade vazia feita pelos momentos desejados, nas imaginações desse tempo que não passa, no tempo perdido na procura das lembranças dos conselhos seguidos a risca dos dois corpos.
Nas batidas das esperanças desse coração, dos perfumes roubados pelos sonhos dos jardins floridos pela primavera que chega ao fim, deixe as rosas onde estão, enquanto deixamos o hoje aqui, vamos sorrindo no compasso dos pássaro que nos mostram o caminho, enquanto lavamos nossos corpos com os perfumes roubados, dos sonhos desejados.
Deixe-me perguntar ao tempo, que tempo foi perdido, que tempo ganhamos, que tempo é esse que o tempo não nos diz, deixe-me embriagar nesse seu perfume, deixe-me confessar ao som dos tambores, deixe-me acariciar junto ao meu peito esses cabelos encaracolados.
Nas batidas dos dedos nas cordas de aço, na madeira trabalhada que junto ao meu peito, faço o som da noite se acabar.

BABY

Vejo aqui, seus lábios se movendo no som não falado da esperança de te escutar, de deslumbrar seu olhar ainda escondido atrás do lençol surrado por esses poucos dias, dessa loucura toda, sem explicação, sem hesitação do medo que me percorre, de ter o controle total do tempo, dos desleixo dos meus pensamentos, que não são profanos nem mundanos, da idéia fixa de ter o poder do tempo passado, vindo. Perder o medo de ser o próprio medo enquanto penso em ser, em ter, em ver a lua refletida nas ondas do mar, enquanto admiro-a, nos toques suaves de meus dedos em seus, no som suave da água na areia, no vinho derramado em seu corpo.
Vejo aqui, meus pensamentos perdidos, se encontrando em seus momentos, desfrutando da idéia perdida de ter o sol aparecendo no infinito do mar, suavemente subindo, enquanto meus olhos se findam em seus, nessa praia deserta, nesse calor sem fim, nesse começo que não se inicia enquanto o coração pulsa a cada movimento de seus lábios mudos, nesse silêncio incontrolável perpetuado pela noite que se acaba, mas que não termina.
Mas ainda é cedo baby, não anuncies a hora da partida, prestando atenção nos passos desse tempo, no pouco tempo que não sabemos, nesses passos plenamente pensados, não planejados, apressados por minha pessoa, sem saber o rumo que será tomado, sabendo que sabes que estás resolvida, escutemos o barulho da água movendo os grãos dessa areia branca, reluzente, no fogo de seus cabelos iluminados pelo amarelo do fogo do sol que acabou de nascer em seus braços, no sonho sonhado pelos pensamentos desse viajante, sonhador.



sábado, 15 de janeiro de 2011

"No ano de 1868, a 14 do mês de março, às duas horas da madrugada, em conseqüência da predileção que tem pelas partidas de mau gosto, e ainda para completar a soma de absurdos que tem cometido em diversas épocas, a Natureza fez-me nascer com uma pincelada objetiva. A despeito da importância desse fato, não conservo dele nenhuma recordação pessoal; mas minha avó disse-me que logo que me foi conferido espírito humano soltei um grito. Quero crer que foi um grito de indignação e protesto".
Aleksoéi Maksímovitch Peshkóv - Gorki