sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

BABY

Vejo aqui, seus lábios se movendo no som não falado da esperança de te escutar, de deslumbrar seu olhar ainda escondido atrás do lençol surrado por esses poucos dias, dessa loucura toda, sem explicação, sem hesitação do medo que me percorre, de ter o controle total do tempo, dos desleixo dos meus pensamentos, que não são profanos nem mundanos, da idéia fixa de ter o poder do tempo passado, vindo. Perder o medo de ser o próprio medo enquanto penso em ser, em ter, em ver a lua refletida nas ondas do mar, enquanto admiro-a, nos toques suaves de meus dedos em seus, no som suave da água na areia, no vinho derramado em seu corpo.
Vejo aqui, meus pensamentos perdidos, se encontrando em seus momentos, desfrutando da idéia perdida de ter o sol aparecendo no infinito do mar, suavemente subindo, enquanto meus olhos se findam em seus, nessa praia deserta, nesse calor sem fim, nesse começo que não se inicia enquanto o coração pulsa a cada movimento de seus lábios mudos, nesse silêncio incontrolável perpetuado pela noite que se acaba, mas que não termina.
Mas ainda é cedo baby, não anuncies a hora da partida, prestando atenção nos passos desse tempo, no pouco tempo que não sabemos, nesses passos plenamente pensados, não planejados, apressados por minha pessoa, sem saber o rumo que será tomado, sabendo que sabes que estás resolvida, escutemos o barulho da água movendo os grãos dessa areia branca, reluzente, no fogo de seus cabelos iluminados pelo amarelo do fogo do sol que acabou de nascer em seus braços, no sonho sonhado pelos pensamentos desse viajante, sonhador.



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